Não sei que outro título poderia dar a este post... Não fazia tenções de voltar a escrever neste blog. Já há muito tempo não tinha vontade de o fazer, e era bastante claro para mim que este espaço já teria dado o seu último suspiro. No regresso a casa iniciaria outro. Continuo a tencionar fazer isso, mas neste momento sinto mesmo necessidade de escrever aqui. Hoje foi o último dia do estágio. Parto amanhã porque assim é como um penso rápido... arranca-se de uma vez e já está. Chego ao Porto sábado de manhã, é fim-de-semana e a família está toda em casa, à noite já vou ao Dragão, volto para casa com amigos, provavelmente vamos comer pizza ou assim, depois jogar um joguito de tabuleiro ou uma suecada, possivelmente ver um filme. Tudo perfeitinho. Sábado à noite vou sentir aquele warm and fuzzy feeling de quem está exactamente onde queria estar.
Mas hoje ainda não é sábado. Hoje é quinta-feira, o último dia do estágio. Houve discurso do Connal com lágrimas nos olhos, mas eu não consegui conter as minhas. Houve abraços e palminhas e montes de prendas. Houve um cartão com mensagens - a maioria delas perfeitos clichés de gente que pouco mais do que boa tarde me disse, mas outras mais pessoais e mais sentidas. Fartei-me de chorar e continuo a chorar.
Aquela música "Home", do Michael Bublé, agora regravada por uma boyband, é sem dúvida bastante irritante. Mas nos últimos tempos não conseguia evitar um pequeno sorriso quando ouvia a parte "I've had my run, but baby I'm done, I wanna go home". Porque é verdade, eu quero mesmo ir para casa. O meu tempo aqui foi fantástico mas chegou claramente ao fim. Ran its course. Estou preparada para voltar. Mas mesmo assim parte-me o coração. Amanhã de manhã volto ao escritório. Queria pelo menos uma foto, e hoje esqueci-me de a tirar. Tornou mais fácil a saída hoje. Mas amanhã vai custar.
I can't bring myself to pack my bags. Can't bring myself to stop using english expressions when speaking, writing or thinking in portuguese. Tinha planeado fazer as malas com calma, limpar o quarto, tomar banho. Ficar preparada para amanhã não ter grande coisa que fazer. Dar uma volta pelo centro e seguir para o aeroporto a meio da tarde. Ainda tenciono fazer isso, mas vou acabar por ir dormir de madrugada. São quase nove da noite e estou aqui a navegar pela net sem propósito, a olhar para a playlist sem saber bem o que por a tocar. Ainda tenho que colocar música no leitor de mp3 para o regresso, para a noite em Stansted. Música de recomeço.
Estou entusiasmada com o regresso. Assustada, mas entusiasmada. Quero voltar, quero mesmo. Mas não queria nada partir.
Vou voltar. Claro. Deixo tanto por ver nesta cidade e neste país. E viver em Glasgow on a portuguese budget não deixa muita margem de manobra para aproveitar o que esta cidade tem para oferecer, por isso tenho mesmo que voltar. Mas estas coisas de voltar... Será que volto? E quando? Não sei. Só sei que agora dói partir.
Amanhã vou ao escritório logo de manhã, mas enquanto estiver em Glasgow de certeza que o nó no meu peito não se vai desfazer. Talvez no comboio para Prestwick. Talvez aí já consiga abstrair-me do partir e concentrar-me no chegar. Até lá vão ser umas duras 20 horas.